

Na revolução de 1932, no confronto entre mineiros e paulistas podemos apartar vários "causos". Esta história é feita de muitos pedacinhos, acontecidos ao mesmo tempo, mas em lugares variados. Já contei da cruz voando, estão lembrados?
Bom, em Eleotéria, perto de Itapira/SP, tinha um batalhão dos paulistas. Isto é, bem perto da Zanta, né? Uma trincheira!
Nóis, aqui na divisa, ficávamos de ouvido em pé e com as pernas prontas pra correr e nos esconder no mato. Quem queria ir pro confronto? E que mãe queria porque queria ver o filho de "farda de guerra"?
Em terras bem perto de Socorro, moravam uns "italianões". Não é que esses pobres italianos, de língua enrolada, acabaram caindo na conversa dos paulistas e se "alistaram" pra mostrar serviço e defender as idéias dos paulistas.
Por outro lado os baianos desciam pra se juntarem aos mineiros. Era uma "guerra mesmo".
Neste vai e vem, corre, volta e avança, o negócio foi ficando feio.
Os italianos, bem gordões, alguns já nem tão moços, acabaram vindo se esconder em terras de Bueno Brandão. Tinham se arrependido da "valentia" apesar de adorarem o Brasil e terem querido lutar pra sua melhoria.
No mato, amoitados, escutaram o barulho e ficaram "aspetando". Aspeta que aspeta (espera que espera) até que um grupo de soldados chega e os pega e começa o interrogatório:
- De que lado estão? O que vocês são? Porque estão aqui? Estão de espião? São mineiros ou paulistas?
Diante de tantas perguntas, assustados, falam com o sotaque costumeiro que eram mineiros. Ah, pra que!!!! Apanharam feito moleques e rolaram pelo mato. Ficaram largado e reclamando da "sorte" de terem errado a resposta; - devíamos ter falado que éramos paulistas.
Bom, os dias passaram e eles de mato em mato.
Não é que vem de novo uma "tropinha" e os pega de surpresa num sono, na sombra? Ah, de novo a mesma história. Perguntas e mais perguntas e eles quietos, até que um impaciente arrisca:
- Nóis somos paulistas!
Ah, pra que! Paulada em cima como já tinham apanhado dias antes logo ficaram "largados".
Choravam e rezavam e maldiziam a sorte. Que negócio é esse? Mineiro apanha, Paulista apanha... Porque não falamos que somos só "brasilianos"? Ia adiantar, será?
Dias passando e eles no mato das divisas sem saberem pra que lado correr.
Vai que... mas é melhor... Não, o negócio é... Ah! Deus o que será de nós? Porque não ficamos quietos no nosso canto, lá nas nossas roças, pras bandas do Serrote? Que paura!
Nesse muro das lamentações se distraem e de novo lá vem soldado. Sobem correndo na árvore. Já era de noitinha.
- O que vocês são? De que lado estão? O que estão fazendo aqui na moita? São espiões dos mineiros ou dos paulistas?
Nessas alturas, enroscados pelos galhos, apavorados, dizem todos de uma só vez:
- Nóis é tudo Fruita!