CIDADE DAS CACHOEIRAS
Pelas trilhas de um Campo Místico
ACONTECE

Zé Bagunça com imagem de São Gonçalo

    Zé Bagunça é uma daquelas pessoas que conseguem cativar desde o primeiro momento. Tem um jeito próprio de se expressar e de agradar. O próprio apelido é o seu cartão de visita: bagunça.

    José Coutinho dos Santos Júnior está com 75 anos, tem sete filhos, nasceu em 15 de abril de 1931. Mas por sua energia, não aparenta ser um septuagenário. No ano passado, agüentou firme as três frias noites da festa e ainda dançou em duas quadrilhas - "Quadrilha da Melhor Idade" e "Quadrilha do Zé Bagunça", hoje coordenada pelas filhas.

    Zé Bagunça já teve quitanda e continua trabalhando com comércio de frutas. Outra atividade, já famosa na cidade e na região, é o comércio de sucata de metais - hoje muito difundida, mas que é desempenhada por ele há muitos anos.

    Zé Bagunça foi um apelido carinhoso, dado justamente pelo jeito alegre e comunicativo. "O apelido de "Bagunça" veio dos meus colegas que trabalhavam comigo no antigo mercado municipal. Éramos oito que trabalhávamos nos açougues que ficavam dentro do Mercado. Dali, sem mais nem menos, começaram a me chamar pelo apelido. Era Bagunça pra cá, Bagunça pra lá. E acabou ficando", diz, alegremente.

    As famosas "Festas do Zé Bagunça" tiveram início em 1982. A idéia veio de uma conversa comigo e o compadre Tião (Batista), para animar a rua. Nós queríamos fazer uma festa para o povo, com a comida e a bebida de graça. "Nós pedíamos patrocínios e prendas para depois fazermos quentão, bolo de fubá, café, biscoito, pipoca, pinhão, batata-doce, broa e distribuir tudo de graça para o povo", conta saudoso.

    "Desde a primeira festa, muitas pessoas ajudaram bastante. O Paulão da Oficina, o Luiz da Nelides, A família Beghini, o Lázaro da Caixa, e muitos outros amigos nos ajudavam a fazer a festa", faz questão de mencionar Zé Bagunça.

    Segundo Lúcia, filha do Zé Bagunça, a festa começou no último ano que o Padre Adilson esteve na cidade. Naquele ano foram realizadas três festas juninas, nas datas dos tradicionais santos do mês de junho: Santo Antônio, São João e São Pedro. As festas foram na Rua Benjamin Constant, na Rua Califórnia - onde reside Zé Bagunça - e na Rua da Saudade. Isso foi em 1982. Todas as outras acabaram por parar. A festa do Zé Bagunça (que mais tarde seria rebatizada como Arraiá do Zé Bagunça), foi à única que perdurou por mais 12 anos sem interrupção e nos mesmos moldes. A festa deixou de ser realizada em 1994 e só voltaria em 2001, já nos moldes atuais e realizada na Praça Virgílio de Melo Franco.

    Nas primeiras festas, a animação era feita por um conjunto de Santo André, liderado por um primo do Zé Bagunça. A banda tocou nas festas até que o líder faleceu, vitimado por um enfarto. "O meu primo estava fazendo um show com a banda no Zanta's Clube e teve um enfarto em cima do palco, vindo a falecer em decorrência desse enfarto dias depois", explica a filha.

    A primeira quadrilha foi improvisada. Formavam-se os pares e dançavam ali, na hora. Da segunda festa em diante, a turma da rua mesmo se mobilizou, montou um grupo de quadrilha. "A Sônia (Uma das filhas do Zé Bagunça) era encarregada dos ensaios e o "Biluta" era quem cantava a quadrilha", relata Lúcia. A partir dali, começou-se a ensaiar e a "florear" mais a dança tradicional. Hoje, a Quadrilha do Zé Bagunça é ensaiada por duas das filhas do Zé Bagunça - Lúcia e Sônia - e já tem até que limitar o número de participantes, "por questões de espaço", - explica Lúcia, - "No ano passado, quase que a nossa quadrilha não coube no local reservado para a dança".

    O Arraiá do Zé Bagunça é uma re-edição da antiga "Festa do Zé Bagunça" e tem finalidade filantrópica através das entidades de Bueno Brandão. Ao contrário das antigas Festas do Zé Bagunça, as comidas e bebidas típicas são hoje vendidas nas barraquinhas mantidas pelas entidades que, com isso, arrecadam fundos necessários à manutenção das mesmas.

    Nos últimos anos em que o "Arraiá do Zé Bagunça" foi realizado, ele atraiu multidões para a praça Virgílio de Melo Franco onde é hoje realizada, nos quatro dias do evento - quinta, sexta, sábado e domingo. Em 2002, o último dia da festa coincidiu com a final da Copa do Mundo, quando o Brasil conquistou o pentacampeonato mundial. Isso foi suficiente para "juntar" as duas festas, transformando o Arraiá numa enorme comemoração.

    A cada ano, o Arraiá do Zé Bagunça espera um público ainda maior. Serão quatro noites, com atrações culturais típicas de Minas Gerais, como apresentações de quadrilhas, danças folclóricas, shows além dos tradicionais quitutes juninos.

    Zé Bagunça promete não perder nem um minuto sequer da festa e promete repetir a dose e danças nas quadrilhas. "Me sinto muito orgulhoso de ver que meu nome está nesta festa que cresceu tanto. Nós, eu e meus amigos, que imaginamos aquela primeira festinha não podíamos imaginar que ela seria tão grande um dia como é hoje. Eu me sinto muito emocionado em ver aquele mundão de gente na praça. Nem que quiséssemos, não poderíamos colocar tanta gente, na nossa rua, como era antes", emociona-se Zé Bagunça.

   

Conheça a história do Arraiá contada pelo próprio Zé Bagunça
Quando terminava a entrevista com Zé Bagunça, vimos, fixado no batente de uma porta, na sua casa uma pequena placa que dizia: "Deus abençoe esta bagunça". Que os anjos digam amém: Que Deus abençoe esta bagunça, por muitos e muitos anos.
* Entrevista concedida em junho de 2003
CLIQUE AQUI PARA SABER MAIS SOBRE O
20º ARRAIÁ DO ZÉ BAGUNÇA - 2008